Umuarama

INFORME UEM AGRÍCOLA

Agricultura Sustentável: desenvolvimento sustentável que beneficia o meio ambiente e principalmente a saúde humana

28/06/2020 07H16

Professora Dra. Érica Marusa Pergo Coelho

empcoelho@uem.br

Área de Bioquímica – Biologia Celular e Molecular

Departamento de Ciências Agronômicas

Universidade Estadual de Maringá

Segundo as estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), através do Fundo para a Agricultura e Alimentação (FAO), em 2050 teremos 9,1 bilhões de habitantes na Terra. O crescimento da população e o consequente aumento na demanda por alimentos, fibras, matérias primas e agroenergia provoca pressão sobre o uso dos recursos naturais (solo, água, ar e biodiversidade), uma vez que essas demandas são atendidas pelo aumento da produção, via abertura de novas áreas ou aumento na produtividade, podendo, em certas situações, provocar instabilidade no abastecimento desses produtos devido ao uso incorreto dos recursos naturais, levando-os à exaustão e a inviabilidade do sistema de produção.

Outra preocupação que observamos nesse processo, é que os cientistas ou geneticistas da agricultura trabalham em plantas, não em humanos. Assim, cada dia que passa nossa alimentação vinda da agricultura está perdendo sua qualidade e provocando doenças ou alergias, principalmente em humanos.

Desenvolvimento Sustentável da Agricultura

Um dos grandes desafios da moderna agricultura é reduzir o dano ambiental e o risco para a saúde dos humanos e animais, decorrentes do uso de produtos químicos e plantas geneticamente modificadas sem, contudo, reduzir o nível de produção dos alimentos. Estratégias com base na Alelopatia podem contribuir para este ideal de uma agricultura sustentável.

Alelopatia é um processo que já acontece na natureza, ou seja, plantas ou outros seres vivos, por exemplo, microorganismos, produzem substâncias que podem ser liberadas no meio ambiente para inibir ou também estimular o desenvolvimento de outras plantas ou até outros organismos.  Estas substâncias podem ser chamadas de aleloquímicos.

Esquema de como podem ser liberados os aleloquímicos de uma planta

As ações dos aleloquímicos podem ser um dos fatores a serem considerados na rotação de culturas, nas práticas de plantio direto e no controle de plantas daninhas. Pesquisadores brasileiros e paranaenses de diferentes áreas: agronomia, biologia, fisiologia, bioquímica e química têm realizados estudos neste sentido e, embora informações relevantes tenham sido obtidas, nem sempre os estudos são integrados de forma a contribuir com soluções concretas.

Na Universidade Estadual de Maringá (UEM) existem alguns projetos de pesquisadores que se dedicam em estudar esse processo da Alelopatia para ajudar na agricultura sustentável. Um projeto muito importante nesse sentido foi desenvolvido pela professora Doutora Emy Ishii-Iwamoto como coordenadora e vários professores do departamento de Bioquímico da UEM – Maringá, do qual tive o prazer de participar como integrante do departamento de Ciências Agronômicas (DCA), da UEM, campus de Umuarama. Neste projeto os objetivos foram isolar e identificar a natureza química de compostos naturais (aleloquímicos) com potencial herbicida, presentes em palhadas de plantas usadas em cobertura de solo no plantio direto. Esses compostos foram testados e avaliados nos Laboratórios da BASF e, foram utilizados para o desenvolvimento de novos produtos e para possíveis composições comerciais voltadas à agricultura. Recentemente, outro projeto do grupo de pesquisadores do departamento de Bioquímica da UEM está estudando as estruturas de novas enzimas fundamentais dentro da planta, visando a produção de bio-herbicidas com novos sítios de ações para controlar plantas daninhas resistentes aos herbicidas comerciais.

Portanto, apesar do conhecimento do processo ser antigo, os estudos nesta área ainda são recentes, mas acredita-se que em um futuro próximo, os agricultores possam usar essas novas moléculas para facilitar a produção de forma sustentável, sem agredir o meio ambiente e principalmente a saúde humana.

Importância da agricultura na alimentação humana

As preocupações em relação à alimentação vêm se modificando com o passar do tempo e alterações no sistema alimentar são recentes, mas, apesar disso, vêm causando danos sociais, econômicos e ambientais de forma crescente. Sistema alimentar refere-se ao conjunto de processos que incluem principalmente a agricultura, pecuária, produção e processamento. Além do uso inadequado de manejo de produção na agricultura, as modificações genéticas das plantas estão cada dia mais evoluídas, no sentido de produzir plantas modificadas, com alta resistência a fatores abióticos e bióticos.

Aproximadamente 3 milhões de anos atrás, a alimentação do ser humano era apenas da caça, pesca, folhas, raízes e frutas. Não tão longe à 10 mil anos atrás, começou a surgir a agricultura, com a produção principalmente de grãos, portanto o surgimento da agricultura e os alimentos produzidos por ela são muito recentes para adaptação do material genético dos seres humanos.

Além disso, as modificações na agricultura nunca pararam até então. O Brasil ocupa a primeira posição no uso de agrotóxicos em todo o mundo desde 2008, influenciado pela produção de soja. O consumo de alimentos transgênicos com agrotóxicos associados tem sido relacionado a problemas neurológicos, alterações hormonais, infertilidade, câncer e doença celíaca em humanos. A exposição ocupacional a agrotóxicos está relacionada, entre outras doenças, a maior incidência de cânceres nos diferentes órgãos e sistemas, problemas respiratórios e doenças crônicas. Além dos agricultores, a exposição da população no entorno também apresenta relação com doenças, como atrasos no desenvolvimento mental e ocorrência de desordens mentais em crianças e maior ocorrência de malformações congênitas em bebês devido a exposição materna a agrotóxicos.

Assim, a agricultura e os alimentos produzidos por ela, mostra-se como uma das formas de melhorar a saúde das pessoas, pois estamos vivendo uma época de pandemia e muitas mudanças provavelmente irão acontecer no sentido de aumentar a saúde da população.