Dr. Eliseu Auth

16/03/2021

O papel libertador de Sorbonne

16/03/2021 07H43

Eliseu Auth

A universidade faz pensar. Laboratório de idéias que é, ela é o grande instrumento para elaborar o pensamento e assegurar uma sociedade livre e igualitária a todos. Aqui, vou me deter na Universidade de Sorbonne de Paris. Ela vem de 1257, fundada pelo sacerdote Robert de Sorbon, capelão de Louis IX que viria a ser canonizado como santo da Igreja Católica.

Grandes pensadores semearam idéias e pensamento crítico para alunos de todo o planeta. Entre eles, São Tomás de Aquino, autor da Suma Teológica e fundador da Escolástica, Simone de Bouvoir, Jean Paul Sartre, René Descartes, Victor Hugo, Louis Pasteur, Lavoisier, e os brasileiros Paulo Evaristo Arns, Celso Furtado e Fernando Henrique Cardoso, entre outros.

Sorbonne sempre se notabilizou pelo debate de idéias e do pensamento crítico, na busca intensa da liberdade e da igualdade, fundamentos da civilização. Na Revolução francesa, gestada na aversão aos reis e no ideal da liberdade, igualdade e fraternidade, Sorbonne foi fechada, vítima da recaída autoritária de alguns líderes extremistas, em refrega ao ensino católico. Mas, em 1806, Napoleão reabriu-a e ela continua pulsando seu papel libertador.

Próximo à sua “Faculté de Droit”, Sorbonne homenageou o icônico especialista em Direito, “Jacques Cujas”, dando-lhe nome de rua. Esse pensador, já no século XVI, era ardoroso defensor do Estado Democrático de Direito. Depois de estudar profundamente as lições dos jurisconsultos romanos, “Cujas” defendia que, se as leis fossem suprimidas, as paixões humanas não encontrariam limites e não haveria espaço para a ordem e a harmonia. Pensar e raciocinar faz bem. Principalmente, aos que ainda adoram o autoritarismo. Aprendam com o papel libertador de Sorbonne.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).