Dr. Eliseu Auth

Eliseu Auth

O dilema do voto

29/09/2020 07H18

Se não há regime de governo perfeito, a democracia parece ser o menos imperfeito. Bem ou mal, ela dá voz e vez a todos os que vão ser governados. Aí reside o lado civilizado do poder. Lá se foram anos longos anos, séculos e milênios intermináveis de tiranias e ditaduras até que a Grécia de Sócrates, Platão, Aristóteles anunciasse o governo do povo. Tinha que ser a Grécia dos filósofos deitando as bases da civilização ocidental.

Lá vem mais uma eleição. E com ela vem o dilema do voto. Em quem devo votar? Meu amigo Édison Andrade, editor de um jornal chamado “Notícias de paz”, me sugeriu que abordasse o tema sob o prisma dos três “c” de Bill Hybels: “Caráter, coerência e competência”. Seriam os critérios para uma boa escolha dos nossos representantes nas câmaras municipais e nos comandos dos municípios. Em verdade, não há fórmula universal de como votar bem. Nos critérios de Hybels falta o fundamental que é a dignidade. E, ao tratar da coerência, deixa transparecer preconceitos religiosos contra aborto, casamento de pessoas do mesmo sexo e descriminalização da maconha. Religiões podem botar regras para os seus congregados, mas não impô-las ao Estado que precisa governar para todos, tenham crença ou não. Seu papel junto no governo civil pode até ser relevante, mas será o de apontar os princípios gerais do bem e da dignidade de todos que precisam ser buscados. De qualquer forma, é hora sim, de pensar as razões para escolher este ou aquele candidato para votar. Este é o dilema do voto.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).