Wilian Marques

Wilian Marques,

“Queimem os navios!”

05/05/2019 07H46

Wilian Marques,

No último artigo, — sugiro que, caso não tenha lido, leia — deixei claro que sem disciplina dificilmente alcançaremos resultados desejados em nossa vida. Como prometido, vou, nesse e nos próximos dois artigos, falar sobre estratégias que podem auxiliá-los a fortalecer o “músculo” da disciplina. Então, vamos começar com a estratégia de “queimem os navios!”.

Queimem os navios!” Essa frase, atribuída ao conquistador espanhol Hernán Cortez, tornou-se muito conhecida e utilizada de maneira motivacional. Hernán Cortez, um dos mais implacáveis desbravadores da América Central, tomou as terras mexicanas do povo asteca no século XVI. Conta-se que ao chegar em terras mexicanas e notar apreensão e medo em seus soldados, Cortez, para impedir que seus soldados fugissem acovardados, ateou fogo aos navios. Não havia modo de voltar atrás. Ou venciam ou morriam, não existia a possibilidade de voltarem para Cuba, país de onde tinham vindo nessa expedição.

Quais são os navios que estão na praia, prontos para levá-los de volta a sua zona de conforto? Sempre que empreendemos um novo projeto, saímos de nossa zona de conforto. Muitas vezes, motivados e decididos, enfrentamos nossa preguiça e iniciamos a busca por resultados. No entanto, como bons seres humanos que somos, na grande maioria das vezes, nos primeiros sinais de desconforto, dor e frustração, subimos em nossos navios e retrocedemos ao nosso porto seguro: zona de conforto. Queimar os navios, nada mais é do que eliminar a possibilidade de retroceder.

A relação entre a ação de Cortez e nossa vida pode ser utilizada de várias formas. Mas, aqui, me limito a estratégia para fortalecer nosso “EU” disciplinado. Se você decidiu emagrecer, para de fumar, parar de beber bebidas alcoólicas, melhorar seu relacionamento, passar em um concurso, ter prosperidade financeira, só existe uma possibilidade: alcançar o que deseja. O que você pode fazer para tornar a desistência impossível? Por exemplo, você decidiu que terá uma certa quantia investida em um determinado tempo. Então, você faz um contrato com alguém. Esse contrato terá os seguintes termos: se você não conseguir ter o valor exato na data estabelecida, todo o valor que tiver em sua carteira de investimentos será doada a uma instituição. Olha, não sei você, mas eu faria de tudo para ter a quantia estabelecida em minha carteira de investimentos para não perder todo o dinheiro. Talvez você queira começar a fazer atividades físicas todos os dias, pois bem, faça um contrato com alguém e diga a essa pessoa que cada dia que não for treinar, terá de dar R$ 100,00 a ela. Acredito que você não queira perder R$ 100,00, portanto irá treinar. Ah! Mas e se eu decidir não dar o dinheiro a essa pessoa? Bom, ai já é uma questão de integridade. Se você não tem honra e suas palavras não tem valor, seu problema seria caráter e não necessariamente disciplina.

Um homem que trabalhava em um banco, mas não era feliz, decidiu empreender um negócio que era sua paixão. Juntou três meses de salário, que era bem alto, e simplesmente pediu demissão. Ele queimou seus navios. Ou ele fazia seu empreendimento dar certo ou sua família ficaria sem dinheiro. O que aconteceu? Ele se tornou um empreendedor milionário e feliz por fazer o que gostava. Não que eu aconselhe a fazer o mesmo, mas essa história reflete bem a ideia de “queimar os navios”. Podemos utilizar essa estratégia de várias formas. O importante é que entenda que ao eliminar a possibilidade de desistência eliminamos os argumentos do nosso “Eu” preguiçoso.

Fugimos da dor e buscamos o prazer. Quando uso a estratégia de queimar meus navios torno a dor da desistência infinitamente maior do que a dor do cansaço da luta para alcançar meus objetivos. Sair para caminhar ou correr por dez a vinte minutos é muito menos doloroso do que perder R$ 100,00, não é?

Você seria capaz de queimar seus navios? Seria capaz de eliminar as coisas que podem faze-lo retroceder? Seria capaz de criar formas de estimular sua busca por resultados ao invés de estimular seu retorno a zona de conforto? Até o próximo artigo. “Queimem os navios!”.

Wilian Marques,

Coach, Programador Neurolinguístico, Palestrante e

Oficial do Corpo de Bombeiros