Karina M. Fernandes

26/03/2022

Você conhece o seu filho(a)?

25/03/2022 16H56

Jornal Ilustrado


Uma carta aberta aos pais e mães de adolescentes. Você conhece o seu filho(a)? Eu sei que parece uma pergunta óbvia ou até mesmo chocante, mas entenda… Você cuidou do seu filho, escolheu a primeira roupa, o nome, a escola. Aprendeu a diferenciar o motivo do choro, passou noites em claro, ensinou ir ao banheiro, ajudou no dever de casa, a ler e escrever, andar, se comportar em público, aprendeu a perceber cada necessidade sem a utilização de palavras. Você conhecia o sabor preferido do sorvete, as expressões, era para você que ele corria quando o mundo parecia assustador. Mas agora tudo mudou. Ele não concorda com suas escolhas, não se abre mais com você e nem se aproxima, tem segredos e gostos que você desconhece. Parece uma pessoa completamente diferente daquele bebê que você carregou nos braços. Hoje pede pelo seu próprio espaço e você que sempre soube que isso aconteceria, não estava preparado(a) para isso. A questão é que este seria o momento propício para inflamar sentimentos e travar uma guerra contra este ser de temperamento instável, mas você irá descobrir que o seu filho não é sua extensão, não é uma versão de você, ele não é seu, precisa se perder para se encontrar e você não pode fazer isso por ele. Ele irá construir sua própria identidade e isso pode envolver certo afastamento, mas ele precisa saber que tem um lugar seguro para voltar caso precise. É uma dosagem entre o risco do voo e a segurança do ninho para conseguir desenvolver seu repertório comportamental, explorar o mundo, descobrir seu próprio universo. Talvez este seja exatamente o momento no qual ele mais precisará do seu apoio, do seu esforço em manter contato, pois tem a necessidade de ser amado e aceito do jeito que ele é, de ser acolhido, ouvido e compreendido nos conflitos que também são difíceis para ele. A angústia é dupla: pais não conseguem lidar com este “novo ser” e os adolescentes, em meio a tantos tropeços e tentativas de emergir na vida adulta, confrontam drogas, alcoolismo, bullying, relações amorosas, conflitos de identidade de gênero e orientação sexual, dificuldades de relacionamentos dentro e fora de casa. Em todo adolescente há um adulto em busca de si. É muito válido procurar ajuda profissional para ambos para fortalecer vínculos e estreitar laços, diminuir conflitos e melhorar a comunicação, tudo isso poderá ter um impacto positivo em seu desenvolvimento que perdurarão por toda a vida.