Umuarama

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Valor do pacote de 5 kg de arroz tem alta superior a 50% nos últimos seis meses

02/09/2020 15H23

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O orçamento doméstico dos umuaramenses está precisando ser revisto. Nos últimos, os reajustes nos valores do litro do óleo de soja, no quilo da carne vermelha e do feijão vem pesando no bolso do consumidor. Agora com alta superior a 50% no preço do pacote de 5 kg de arroz, em comparação aos últimos seis meses, a cesta básica ficou ainda mais cara.

Na pesquisa do Procon de Umuarama, realizada em fevereiro, o valor do pacote de cinco quilos de arroz variava entre o mais barato a R$ 11,70 e o mais caro R$ 21,50. Hoje o arroz de cinco quilos é vendido o mais barato a R$ 17,98 e o mais caro R$ 28,90. O reajuste assustou os consumidores, que tem o alimento como base das refeições diárias.

“Daqui uns dias a gente não vai poder comer mais. Imagina um aposentado fazendo a compra do mês? Quem tiver uma mandioca no fundo do quintal vai ser luxo”, exclamou a aposentada Maria da Gloria.

Segundo o levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o indicador do arroz em casca, 58% grãos inteiros, pago ao agricultor no Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, vem apresentando reajustes desde 11 de agosto e opera na casa dos R$ 94,02/saca de 50 kg.

Ainda de acordo com pesquisadores do Cepea, a demanda aquecida, especialmente por parte de compradores de São Paulo e de Goiás, segue elevando os preços. Inclusive foi verificam certa concorrência entre empresas na aquisição de novos lotes. Ainda conforme o Cepea, do lado da oferta, agricultores de olho no movimento de alta nos valores, limitam as vendas de novos lotes de arroz em casca no mercado spot, à espera de preços ainda maiores.

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PRODUTORES

Produtores da região Ivaté ressaltaram que são vários os fatores que estão elevando o valor do arroz. Entre eles, os produtores gaúchos estão trocando a cultura pela soja, pois o plantio não vinha remunerando os agricultores há anos, além da desvalorização do Real, que não atraiu a importação do produto.

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, afirma que os produtores acabaram vendendo o arroz no início da colheita a R$ 48, pois a maioria deles não tem acesso ao crédito rural oficial e precisam escoar a produção mais rapidamente. Ele lembra também que o cereal tem registrado preços abaixo do custo de produção nos últimos cinco anos.

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Preços não devem baixar

Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) o preço do arroz deve permanecer alto, pois com a alta do Dólar, os agricultores estão exportando mais o produto, o que vem elevando o preço do mercado interno.