Colunistas

21/12/2021

NUNCA SABEREMOS QUANDO SERÁ A ÚLTIMA VEZ. A DESPEDIDA JÁ PODE TER ACONTECIDO

20/12/2021 20H33

Jornal Ilustrado

Luís Irajá Nogueira de Sá Júnior

Advogado no Paraná – Palestrante

Professor do Curso de Direito da UNIPAR

iraja@prof.unipar.br

Madre Teresa de Calcutá (1.910 – 1.997), foi uma religiosa católica de etnia albanesa naturalizada indiana, fundadora da congregação das Missionárias da Caridade, cujo carisma é o serviço aos mais pobres dos pobres, por meio da vivência do Evangelho de Jesus Cristo. É dela a frase: “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota”.

Devemos valorizar mais os momentos quebrados, ou seja, se não posso ficar junto do outro por longo tempo como gostaria que fosse, devo ir ao encontro de quinze minutos, e, valoriza-lo como se fosse uma eternidade. Infelizmente, muitos de nós desejamos apenas os momentos inteiros, ou seja, um final de semana, o almoço, o jantar, o café. Nós idealizamos esses momentos inteiros e desprezamos os momentos quebrados. Se não temos muito tempo para visitas familiares ou aos amigos, deixamos de fazer. Desejamos apenas os momentos inteiros. No entanto, faça o possível, mas não deixe de ir aos encontros relâmpagos, rápidos, quebrados. Pois, nunca saberemos quando será a última vez. A despedia já pode ter acontecido.

Quinze, vinte minutos tira a culpa dos seus ombros, a culpa do seu coração. Não fique planejando um encontro idealizado que você tenha o dia inteiro pela frente. Apareça de repente para visitar os pais, os irmãos e os amigos. Faça a visita, ainda que seja rápida. Essa visita também provoca a cura a quem visita e a quem é visitado. Apareça de surpresa, traga uma broa, um bolinho de fubá. Traga um agrado por mais simples que seja. Tome um cafezinho coado. Feito isso, os corações se alegram. Não precisamos de mais nada para ser feliz. O que vale é a presença. O sorriso nos lábios e o abraço apertado.

Todavia, se o tempo é curto, não vou, pois, não vai ser possível cumprir o que idealizei, ou seja, longas conversas, discurso, palestra, contar tudo o que aconteceu ao longo da vida. Não precisa nada disso. Faça a visita e conte apenas o que aconteceu no seu dia de forma resumida. O importante é estar presente. O importante é levar o seu afeto e sair do encontro carregado de afeto.

Mateus Arteiro (poeta) nos ensina a seguinte lição acerca dos momentos quebrados: “são como moedas da convivência. Ninguém gosta de carregar moedas. Temos uma noção de que moedas não são dinheiro. Queremos as notas, as cédulas. Contudo, são essas moedas que fazem a fortuna das relações. Essas pequenas moedinhas fazem a diferença. Se você juntar todas as moedas na sua vida, você verá o quanto realizou”.

Ao contrário do que muitos pensam, não é deselegante fazer visitas rápidas. Deselegante é não visitar, e, após, amargar tristeza porque não pode fazer a visita dos sonhos. Deixe as formalidades protocolares da etiqueta de lado, e, faça a visita relâmpago que provoca o bem-estar.

Madre Teresa nos deixou um legado incomparável. Ela saia do seu conforto para levar conforto (pessoal, material e espiritual) aos mais necessitados, onde quer que eles estivessem. Seu exemplo de vida é refletido no mundo inteiro. Dizia ela: “Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”. Pense nisso!