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Jair Bolsonaro terá de fazer cirurgia para reconstruir o intestino, diz hospital

10/09/2018 21H41

O boletim médico divulgado pelo hospital Albert Einstein sobre Jair Bolsonaro (PSL) causou espanto quando divulgado na manhã desta segunda-feira (10), em São Paulo. O estado de saúde do paciente é descrito como “grave” e o texto menciona a necessidade de uma “nova cirurgia de grande porte”.
O tom do boletim gerou comoção nas redes sociais, nas quais seus eleitores passaram a demonstrar preocupação com o capitão, internado após receber uma facada na quinta-feira (6) durante ato de campanha em Juiz de Fora.
No entanto, nada mudou senão positivamente no quadro de Bolsonaro desde sexta-feira (7), quando chegou ao hospital paulistano. Sem infecção, fazendo sessões de fisioterapia e caminhando alguns minutos pelo quarto, o paciente evolui dentro do esperado.
Segundo a reportagemapurou, o tom grave adotado pelo boletim foi uma decisão do hospital para conter abusos de aliados que têm cercado a rotina de Bolsonaro e também uma empolgação excessiva que poderia gerar frustração. A ideia foi lembrar que o quadro ainda inspira cuidados.
O anúncio da cirurgia marca o caráter estratégico do boletim do hospital.
“Será necessária nova cirurgia de grande porte posteriormente, a fim de reconstruir o trânsito intestinal e retirar a bolsa de colostomia”, diz.
A reversão da colostomia deve acontecer apenas daqui a tempo razoável. Pode demorar de dois a seis meses, em média, a depender da recuperação de Bolsonaro, segundo a reportagem apurou. Sendo assim, não havia a necessidade de anunciá-la agora.
Ratificando que a situação de Bolsonaro é grave, o hospital tenta evitar cenários como o de sexta-feira (7), quando o senador Magno Malta (PR-ES) e o pastor Silas Malafaia entraram no quarto de Bolsonaro na UTI e gravaram vídeos, colocando-o para falar com dificuldade.
No período da noite, em outro boletim, o hospital esclareceu que a cirurgia de fechamento da colostomia é “padrão” e será realizada em uma “internação eletiva”, ou seja, agendada com antecedência.
Durante o período de dois a seis meses, Bolsonaro continuará com bolsa plástica para onde estão indo as fezes.
Segundo o gastroenterologista Ary Nasi, doutor em cirurgia do aparelho digestivo, é muito comum esperar um tempo para fazer a reconstituição do trânsito intestinal por causa do risco de infecção.
“O ideal é isso mesmo [que foi feito com Bolsonoro]. Se exteriorizou uma colostomia para desviar as fezes pra fora. O outro pedaço do intestino fica lá dentro, sepultado”, explica.
A cirurgia de reversão consiste em emendar a parte do intestino que estava conectada à bolsa coletora de fezes à outra que ficou fechada dentro do abdome, reconstituindo o trânsito intestinal.
Ele afirma que o procedimento, quando feito de forma programada, tem baixos riscos. Na literatura médica, são apontados riscos como fístulas (abertura da emenda) ou de obstruções (fechamento da área da emenda).
“É muito pouco frequente [o risco de complicação] quando a cirurgia é feita em condições ideais, depois de um tempo [da colostomia] e com o cólon preparado. Mas é claro que, como qualquer procedimento cirúrgico, tem um risco inerente”, afirma Nasi. (Folhapress)