Umuarama

Informe UEM

Inconsistência do clima promove desafios para os produtores da região Noroeste

19/04/2021 09H04

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Os agricultores de todo Paraná passam por desafios nos últimos anos com a inconsistência entre chuvas e secas, em busca de uma produção de resultados. As a diversidade do do tempo afetam principalmente os produtores da região do arenito Caiuá e conforme pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Campus de Umuarama, investir em tecnologia e seguros contratuais são formas de melhorar a produção na região.

Segundo o professor do curso do departamento de Ciências Agronômicas da UEM de Umuarama, João Paulo Francisco, um exemplo de inconsistência de tempo na região de Umuarama é o acumulado de chuva em um curto período. “Nos meses de janeiro e março de 2021 o volume de chuva acumulado foi maior do que a média histórica destes meses. Destaque para janeiro que apresentou 70% mais chuva quando comparado à média histórica. Porém, o mês de fevereiro apresentou acumulado de chuva em torno de 79% a menos do que a série histórica”, ressaltou.

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O professor João Paulo Francisco ao lado da estação meteorológica da UEM no Campus Fazenda em Umuarama

O ano de 2021 apresenta valores acumulados de chuva acima da média, sendo que até o primeiro trimestre do mês o volume de chuva registrado foi de 459 mm, ante 407 mm da série histórica. Entretanto os meses de fevereiro e março quase não chove. “Desconsiderando o mês de janeiro, onde se presenciou uma ótima distribuição de chuvas, nos meses de fevereiro e março a variabilidade das chuvas foi bastante marcante. Em fevereiro, 70 mm dos 82 mm registrados, ocorreram entre os dias 12 a 14 do mês. Em março ocorreu uma chuva de 86 mm no dia 04 e a partir desse dia um evento de chuva isolado, de 12 mm no dia 17”, informou o João Paulo.

Nesta má distribuição de chuvas ao longo do ano, a safra da soja foi beneficiada com a boa quantidade de chuva apresentada em janeiro, porém o milho vem sofrendo com a seca. “As cooperativas ainda não conseguiram uma avaliação geral, mas hoje podemos dizer que temos uma perda de 5% na safra do milho devido a seca. O milho novo era para ter mais de meio metro de altura e hoje as plantas não passam de dois palmos, principalmente no arenito Caiuá”, ressaltou o economista do Departamento de Economia Rural de Umuarama (Deral), Ático Luiz.

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ORIENTAÇÃO

A variabilidade de chuvas presente cada vez mais na região, expõem a complexidade dos desafios dos produtores em tomar decisões no campo. Operações como semeadura e colheita são totalmente dependentes das condições meteorológicas e a principal saída para o produtor é investir em tecnologias. “O produtor precisa buscar apoio tecnológicos na redução dos riscos climáticos, como também, encontrar alternativas contratuais e de seguro, pois não se tem controle sobre o clima e essas medidas diminuem os riscos. Além disso, é importante que os produtores respeitem o Zooneamento Agrícola e de risco climático, definindo áreas e períodos específicos para o plantio”, orientou o professor da UEM.

Previsão e La Niña

O ano de 2021 está marcado pela presença do fenômeno conhecido com La Niña, caracterizada pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, como consequência para a região sul do país, em anos de La Niña, espera uma estiagem em toda região, principalmente no inverno. Tal previsão poderia agravar a estiagem atual.

No entanto, o serviço de meteorologia do governo da Austrália (Australian Government Bureau of Meteorology) informou que a maioria dos indicadores associados ao ENSO (El Niño/Oscilação Sul) passaram de La Niña para neutro. Em outras palavras, o fenômeno La Niña chegou ao fim e o oceano Pacífico Equatorial voltou para a condição de neutralidade.

“As projeções dos modelos climáticos apontam que essa neutralidade permaneça até o fim do inverno. Estas mesmas projeções indicam que a previsão para os meses de Abril, Maio e Junho indicam chuvas levemente abaixo da média em boa parte da região sul, sul do centro-oeste e do sudeste”, alertou João Paulo Francisco.

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