Karina M. Fernandes

Coluna Psi 02/10/2021

Geração isso ou aquilo

02/10/2021 11H06

Jornal Ilustrado

Karina M. Fernandes Portella

O Brasil é um país gigantesco, com mais de 200 milhões de pessoas. Um país multifacetado, fragmentado e desigual. A variedade de influências educativas, políticas e culturais não permitem se quer cogitar comparações precisas entre diferentes contextos e circunstâncias sociais. A multiplicidade de fenômenos sociais que abarcam as gerações não cabe em argumentos simplistas e reducionistas como as famosas denominações de geração X, Y, Z. De fato há a possibilidade de demarcar comportamentos e perfis de acordo com a faixa etária? Esta categorização não desconsideraria variáveis essenciais? Culturais, psicológicas, sociais e econômicas? Caímos no irresistível conceito de que esta geração é fraca emocionalmente. A geração floco de neve, a geração do “mimimi”. Jovens que quebram fácil e se ofendem com pouco, não aceitam ser contrariados e são extremamente imediatistas. Sejamos muito cautelosos com estes discursos. Antes de rotular nossos sucessores como frágeis e vulneráveis não seríamos mais coerentes se tentássemos entender o motivo desta fragilidade? Quando os encaixamos em geração isso ou geração aquilo, soa como se fosse uma responsabilidade deles, jovens e crianças. Mas esta geração não foi criada pela nossa geração? Não somos responsáveis por estas falhas? Para entender melhor como a educação recebida afeta uma criança, é importante ter em mente que as crianças procuram pontos de referência em adultos para processar muitas das experiências que experimentam e esta é apenas uma das questões subjetivas a serem consideradas. Não raro, há pais e mães atuais que foram educados a partir de violência (física e verbal), acreditando que esse é o melhor ou o único caminho para ensino de comportamento e nada diferente disso é eficaz e suficiente. É necessário lucidez, muito estudo, preparo e pesquisa para entender que estes jovens e estas crianças não precisam de mais um rótulo que explique porque “quebram fácil”, mas precisam ser escutados, acolhidos e principalmente fortalecidos pela nossa geração. Menos rótulos e mais ação.   

Karina M. Fernandes Portella

Psicóloga clínica, pós graduanda em Neuropsicologia, Psicologia Hospitalar e Análise do Comportamento.

karina-1103@hotmail.com