Cotidiano

EM UMUARAMA

Família acolhe andarilho e tem a casa carbonizada. Homem teve 60% do corpo queimado

31/08/2020 19H20

As lágrimas da faxineira Terezinha Teixeira, de 52 anos reflete o desespero de quem perdeu o pouco que tinha ao ajudar um semelhante. É dela a pequena casa de meia água e quatro cômodos que foi consumida pelo fogo no início da madrugada de domingo (30), no cruzamento da rua Bararuba com a avenida dos Xetás, na Praça do mesmo nome.

QUEIMADURAS

Na ocasião, o conhecido da família, um andarilho de nome Orlando, não conseguiu sair do imóvel quando as chamas começaram e foi encontrado já inconsciente pelos bombeiros. Ele teve ao menos 60% do corpo queimado, foi socorrido pelo Samu até o hospital de plantão e devido a gravidade foi encaminhado de helicóptero para o Hospital Universitário de Londrina, especializado no tratamento de queimados. A vítima corre risco de vida.

O irmão de Terezinha, Ricardo Teixeira, de 47 anos, também ficou ferido ao tenta salvar móveis das chamas. Ele foi conduzido até a casa de saúde e recebeu alta após ser medicado.

ACOLHIMENTO

Segundo Terezinha, o andarilho é conhecido da família há anos. “Conhecemos ele e a família desde muito antes dele se perder para a cachaça. Ele tocava na igreja”, contou entre lágrimas. A faxineira disse que no sábado (29) Orlando chegou já embriagado e disse que estava com fome e se poderia receber um prato de comida.

FOGO

“Ele já havia vindo outras vezes. A gente tem dó. Daí ele comeu e meu irmão deixou ele descansar um pouco em um colchão na sala. Eu acredito que ele deve ter dormido com um cigarro aceso e acabou caindo no colchão e começou o fogo”, afirmou a mulher. O Corpo de Bombeiros não soube precisar o que iniciou o incêndio, apenas relatou que na casa havia muitas coisas inflamáveis.

GRUPO DE RISCO

Terezinha contou que a casa simples ela e o irmão herdaram da avó e que agora não sabe como vai recomeçar. A faxineira está depressiva e tomando medicação controlada e por causa de outros problemas de saúde entrou no grupo de risco do coronavírus. “Antes da pandemia conseguia fazer faxina. Agora não estou fazendo mais. A gente já não tinha nada, agora não sei como vou fazer”, contou entre lágrimas. O irmão é servente de pedreiro.

DESESPERO

No momento em que o fogo começou ela estava no Pronto Atendimento. “Quando eu vi era só fumaça. Saí correndo em desespero e acabei caindo e me machucando no caminho. Meu Deus que desespero ao ver tudo queimado”, contou entre soluços.

RECOMEÇAR

Os dois estão abrigados na casa de parentes e de vizinhos. “Mas eu gostaria de ajuda para poder reformar a casa”, disse. O imóvel de dois quartos, sala, cozinha e banheiro, foi destruída por dentro. Os parcos móveis e o teto de telhas de cimento também foram consumidos pelas chamas.

DOAÇÕES

Quem tiver condições de ajudar a família com a doação de materiais de construção móveis pode entrar em contato direto com Terezinha pelo telefone 44 – 98403-9835.