Karina M. Fernandes

18/09/2021

Diferenças

18/09/2021 04H33

Por: Karina M. Fernandes Portella

Com quantas cores você enxerga o mundo ao seu redor? O cenário social atual nos convida a repensarmos o mundo e as significações dadas a ele e às pessoas, principalmente no sentido da produção de subjetividades, singularidades, diferenças e identidades que se expandem em um sem-número de pluralidades. Desde o século passado, fomos presenteados com conhecimentos e reflexões de pensadores como Deleuze e Guattari, que ressoam até os dias atuais, através da filosofia da diferença. O que esta filosofia nos mostra é que vivenciamos um determinado caráter de repetição, certa resistência frente às mudanças. Desejamos veemente que as coisas (e as pessoas) não mudem, que permaneçam sempre as mesmas. Quando a vida ameaça promover mudanças, fazemos muito esforço para permanecermos os mesmos e não sairmos da nossa zona de conforto. O que poderíamos enxergar se olhássemos o mundo sem o filtro da lógica da repetição e da reprodução? Talvez reconhecer as diferenças, aquilo que mais tememos, seja justamente o que nos aproximaria de formas de existência mais reais, criativas, potentes e humanizadas. Romper com os nossos modelos engessados de ver o mundo e as pessoas é descobrir que, o que está muito distante de mim, pode ser tão semelhante quanto algo que teoricamente está próximo. As diferenças enriquecem o contexto social e desterritorializam nossos pensamentos. Consequentemente, nossa visão se amplia e destituímos modos específicos de administrar as existências, tão reiteradamente interiorizados e instituídos em nós. Assim, reconhecendo outros possíveis jeitos de existir heterogêneos, enfraquecemos a hegemonia de biopoderes. Quão sem graça seria o mundo se houvesse apenas uma cor? Deleuze nos ensina: Somos devires. Seres em processo permanente de mudanças, com capacidade para criar, transformar e modificar.  A repetição é uma convenção que tenta separar a vida do que ela pode e separá-la das suas possibilidades pode ser no mínimo, um desperdício. Que possamos criar e recriar infinitas formas de exercer nossas condutas diárias, favorecendo infinitas formas de existir.

Karina M. Fernandes Portella

Psicóloga clínica, pós graduanda em Neuropsicologia, Psicologia Hospitalar e Análise do Comportamento.

karina-1103@hotmail.com