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Crescimento de 26% do crédito lastreado em hipotecas, atrai pequenos empresários e endividados

13/04/2021 12H31

Já faz quase um ano desde a adoção das primeiras medidas dispostas com o intuito de brindar apoio econômico e financeiro à população durante a pandemia. Lamentavelmente os recursos dos governos (Federal, estaduais e municipais) tem o seu limite, e várias das medidas vêm chegando ao seu fim.

Um dos apoios importantes que têm encerrado, por exemplo, é o caso do auxílio emergencial. Para o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, o efeito do fim do auxílio foi menor do que o esperado, sendo que se estimava que, sem essa injeção de dinheiro, o consumo diminuísse fortemente e a economia fosse mais impactada.

Mesmo com as melhorias nas expectativas, a verdade é que, sem aquelas ajudas, as pessoas irão precisar de novas fontes de ingressos e, ao mesmo tempo, o risco de inadimplência e o incremento de famílias com dívidas em atraso tem muitas probabilidades de subir.

Para aqueles que, ainda nessas circunstâncias, precisarem de contratar algum serviço financeiro, uma opção de crédito interessante são os créditos com garantia de imóvel. Na verdade, este tipo de operação tem se popularizado muito em 2020 e com projeções de continuar crescendo neste ano. Só no ano passado o Banco Central informou que os créditos hipotecários registraram um aumento de 26% em relação ao ano anterior, totalizando R$11 bilhões.

A principal caraterística desses créditos, como o nome refere, é que a pessoa coloca um imóvel (casa, apartamento, terreno, etc.) da sua titularidade, para garantir o pagamento das parcelas. Caso o cliente não pagar, o banco fica autorizado para leiloar o bem e cobrar do produzido. A vantagem disto é que, pela própria redução do risco de inadimplência – todo mundo tenta fazer o maior esforço para evitar a perda da sua casa- as condições do crédito são bastante convenientes: os prazos de pagamento costumam ser longos e as taxas de juros, se comparadas com outras modalidades como o Crédito Direto ao Consumidor (CDC), podem ser até 50% menores.

A alternativa dos empréstimos hipotecários está sendo utilizada principalmente por pequenos empresários que precisam investir no projeto, fazer reformas, ou até mesmo quitar dívidas anteriores com juros mais altos. Para poder contratar, o interessado deve atravessar por uma análise da capacidade de pagamento e uma avaliação do imóvel. Do resultado, o banco emprestará até 60% do valor de mercado do bem.

Existem muitos aspectos a serem levados em conta antes de se decidir por contratar um crédito com garantia de imóvel. Principalmente é importante ter alguma certeza a respeito da capacidade de pagamento, para evitar riscos de perda da moradia. Mesmo assim, a alternativa é bem tentadora para os consumidores endividados com dificuldades para sair de altas parcelas. É só pensar que, segundo o Banco Central, os juros do crédito pessoal chegam a 107.7% por ano e ultrapassam 322% no caso do cheque especial. Nesses casos, a redução de quanto o consumidor gastaria por mês pode atingir 70%, de acordo com Maria Teresa Fornea, executiva da Creditas.