Cotidiano

CASO TÁBATA

‘Aguardo o julgamento para seguir em frente com minha vida’, afirma mãe

30/09/2018 06H00

Há um ano a rotina da costureira Fernanda Crespilho foi alterada permanentemente

Há um ano a rotina da costureira Fernanda Crespilho, 36 anos, foi alterada permanentemente. Ela teve a filha Tábata Fabiana Crespilho Rosa, de apenas seis anos, brutalmente morta após ser violentada pelo maníaco Eduardo Leonildo da Silva. “Há um ano aguardo o julgamento para poder seguir em frente com a minha vida. Quero justiça. Quero que esse homem pague pelo que fez”, declarou Fernanda.

SONHOS QUE NÃO VIRÃO

Ela faz uso regular de calmantes e antidepressivos para controlar a síndrome do Pânico, além de medicação para a memória. “Sinto uma tristeza muito grande. Nunca mais vou poder abraçar a minha filha ou ver os sonhos que tinha para ela se realizarem”, contou Fernanda.

Hoje Fernanda mantém uma vida reclusa permeada pelo medo. ‘Não confio em ninguém. Eu perdi a confiança em tudo. Para mim todo mundo é perigoso”, ressaltou. Ela passa o dia cuidando do filho de um ano e com as portas da casa trancadas a chave.

“Minha vida, minha rotina mudou. Eu era uma mãe que trabalhava e sustentava os três filhos. Hoje, perdi a minha filha, meu filho mais velho está vivendo por enquanto com o pai. Nada mais é o mesmo”, relatou.

O JULGAMENTO

Fernanda relembra que com a morte trágica da filha, também vieram os julgamentos. “Era eu e meus três filhos para sustentar. Pagava aluguel, água e luz, tudo sozinha. Quando ganhei o bebê, cheguei em casa e fui trabalhar. Bate o desespero. Não fiquei um ou dois dias sem fazer nada. Fui direto trabalhar. Precisava do dinheiro. Não tinha quem levasse minha filha na escola porque eu fiquei com os pontos todos inflamados e pedi para o meu filho levar”, desabafou.

O CULPADO

Fernanda culpa a Justiça pelo que aconteceu com a filha. “Se na primeira vez que essa pessoa matou tivesse ficado preso minha filha estaria comigo, estaria viva e nada disso teria ocorrido. Mas ele matou uma garota de 15 anos a pedrada e logo tava solto. Minha filha poderia estar viva”, disse.

O CRIME

No dia 26 de setembro de 2017 Tábata Crespilho desapareceu no caminho para a escola. No início da noite do dia 27, a polícia prende Eduardo Leonildo da Silva, que confessou o crime e indicou à polícia onde o corpo da criança foi enterrado. Nesta mesma noite, enquanto Silva era interrogado, populares cercaram a delegacia de Umuarama e acabaram depredando todo o complexo de prédios da 7ª SDP na tentativa de invadir o local. Ao todo, 12 carros de particulares e viaturas foram queimados. Na cadeia, houve uma rebelião, controlada somente no dia 28 com reforço de Curitiba.

CONFIRA PARTES DA ENTREVISTA COM FERNANDA CRESPILHO