Umuarama

INFORME UEM AGRÍCOLA

A Importância de se identificar corretamente as plantas daninhas no seu manejo

27/09/2020 09H08

Professora Dra. Andreia Cristina Peres Rodrigues da Costa

E-mail: acprcosta@uem.br

Ciência das Plantas Daninhas

Departamento de Ciências Agronômicas

Universidade Estadual de Maringá, Campus Regional de Umuarama

O termo “Planta daninha” refere-se as plantas que ocorrem espontaneamente nos ambientes que são explorados pelo homem, causando danos principalmente à produção agrícola. Entretanto, estas plantas também podem interferir em áreas de parques e jardins, nas margens de rodovias e ferrovias elevando o risco de queimadas, na manutenção do equilíbrio de reservas ambientais com a entrada de plantas exóticas, além dos ambientes aquáticos prejudicando a geração de energia elétrica, o lazer, a pesca e a navegação. Essas plantas, do ponto de vista ecológico, são consideradas pioneiras, ou seja, são plantas evolutivamente adaptadas para a colonização de áreas onde, por algum motivo, a vegetação original foi eliminada, e que após o início do processo de sucessão ecológica culmina no restabelecimento da vegetação original com o passar do tempo. Desta forma, quando o produtor inicia uma atividade agropecuária estimula o banco de semente presente no solo sempre que se inicia um novo cultivo ou manejo da área.

As plantas daninhas causam interferências diretas e indiretas nas áreas de produção agropecuária causando prejuízos de até 100% na rentabilidade ao produtor. A interferência direta está relacionada a competição pelos fatores de crescimento disponíveis a cultura de interesse como nutrientes, água, luz e pela liberação de compostos alelopáticos, enquanto a interferência indireta está relacionada a capacidade destas plantas hospedarem pragas e doenças que ocasionalmente serve de inoculo de infestações nas lavouras.

Portanto, para evitar danos econômicos na produtividade das lavouras e das demais atividade de interesse do homem, há a necessidade da adoção de estratégias de manejo da comunidade infestante das plantas daninhas de modo a se garantir a rentabilidade e a sustentabilidade da atividade agropecuária.

Na tomada de decisão para se fazer o manejo das plantas daninhas, o produtor deve realizar a correta identificação das espécies presentes na área.

A identificação correta das plantas daninhas permite ao produtor caracterizar a população das espécies predominantes, determinar a dinâmica de ocorrência na área e acompanhar as alterações na população em consequência ao sistema agrícola adotado. Ao se estabelecer as espécies mais frequentes em cada época de cultivo o produtor gera informações que lhe auxiliarão a escolher o método de controle mais adequado, além de permitir avaliar a sua eficiência.

No estudo realizado pela Universidade Estadual de Maringá, Campus Regional de Umuarama em parceria com o IDR-Paraná, foi constado em seis anos de utilização de sistemas de rotação em plantio direto com braquiária e soja, a supressão da incidência de plantas daninhas em média 25,4%.

Vale ressaltar que geralmente os produtores tende a adotar o manejo químico ao longo de vários anos, essa estratégia seleciona plantas resistentes aos herbicidas e eleva o custo de produção. Portanto, o monitoramento da mudança da comunidade infestante devido ao surgimento de novos biótipos resistentes, destaca-se como uma ferramenta importante para elaboração de estratégica de manejo mais sustentável a longo prazo.

Para facilitar a correta identificação da espécie, torna-se importante conhecer algumas características especificas de cada planta que permitem agrupar as plantas daninhas. Pois em certos casos, a seletividade de alguns herbicidas baseia-se em diferenças anatômicas, morfológicas e fisiológicas entre as espécies de plantas daninhas e cultivada.

Em relação ao manejo químico, destaca-se os casos já confirmados de biótipos resistentes ao glifosato em populações de buva (Conyza bonariensis), capim amargoso (Digitaria insularis), azevém (Lolium multiflorum), leiteiro (Euphorbia heterophylla), além de existir casos de espécies tolerantes como a trapoeraba (Commelina benghalensis) e a erva quente (Spermacoce latifolia).

Em espécies de picão-preto (Bidens subalternans e Bidens pilosa), em que foram constatadas resistência múltipla inibidores da ALS e inibidores do fotossistema II para B. subalternans e B. pilosa. Sendo que, em 2018 foi confirmada a resistência de B. subalternans ao glifosato (Inibidor da EPSPS) em áreas agrícolas no Paraguai. Neste caso, quando o produtor for realizar o manejo de dessecação e identificar na área a B. subalternans com B. pilosa pode estar utilizando o glifosato numa espécie já tolerante e perder eficiência de controle, além de aumentar a pressão de seleção de biótipos resistentes na sua área. Deste modo, ao se identificar corretamente qual é realmente a espécie presente na área o produtor pode alterar o mecanismo de ação do dessecante e garantir o manejo eficiente.

Cada espécie de plantas daninhas apresenta diferenças na capacidade de se estabelecer-se na área e diferenças no potencial de competitividade entre as culturas. Portanto, os produtores e profissionais ligados ao setor agropecuário devem utilizar as ferramentas de identificação das espécies que compõem as comunidades de plantas daninhas presentes em áreas agrícolas com clareza e precisão a fim de utilizar as informações geradas na elaboração de estratégias de manejo mais sustentáveis a longo prazo.

Principais diferenças entre Bidens subalternans (imagens à esquerda – A, C, E, G) e Bidens pilosa (imagens à direita – B, D, F, H). Fonte: HRAC-BR, 2020.

Área de soja infestada por diferentes espécies de buva (Conyza spp) resistente ao glifosato, no início, meio e fim do ciclo da cultura