Karina M. Fernandes

Coluna PSI

A epidemia da ansiedade

09/10/2021 10H37

Jornal Ilustrado

Karina M. F. Portella

O Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Primeiramente, é importante destacar que nem toda ansiedade é patológica. A apreensão e o medo diante de determinadas situações é uma reação fisiológica protetiva e esperada. No entanto, quando falamos do transtorno ansioso, elevamos a complexidade dos sintomas que desorganizam a vida, os estados emocionais e as manifestações somáticas. São inúmeros os fatores que influenciam o seu desenvolvimento e estes costumam variar de acordo com as particularidades de cada indivíduo. Compõem este cenário questões socioeconômicas e estruturais (pobreza, desemprego, acesso a políticas públicas, saneamento básico), questões ambientais (estilos de vidas nas cidades, zonas rurais, etc.), violências, vivência de bullying, a sobrecarga de tarefas no dia-a-dia, excesso de informações, a imposição de padrões estéticos, consumismo exagerado, uso demasiado de tecnologias, a urgência da hiperprodutividade, o estresse desmedido, alterações hormonais (cortisol, melatonina, adrenalina), dentre muitas outras condições internas e externas. Um problema, muitas causas. Diante disso, convido a todos para um olhar além do diagnóstico, para o ser humano por trás destas condições. Esse ser humano sou eu, esse ser humano é você! Certamente você vivencia alguma/as destas realidades. A ansiedade está permeada pelos excessos e estes nos levam inquestionavelmente ao desgaste. Augusto Cury, psiquiatra renomado nacionalmente, evidencia este fato ao afirmar que há jovens de 10, 12, 15 ou 20 anos com idade emocional mais avançada do que muitos idosos de 80 ou 90 anos. O tempo para a emoção não é o mesmo que para a física. A percepção e gestão do tempo ficam deturbadas e com isso se perdem as singelezas da vida: amar, dialogar, ouvir, sonhar, jogar conversa fora, dormir… De que adianta ser uma máquina de produzir se perdemos os momentos, as pessoas e a existência que amamos e precisamos?  

Karina M. Fernandes Portella

Psicóloga clínica, pós graduanda em Neuropsicologia, Psicologia Hospitalar e Análise do Comportamento.

karina-1103@hotmail.com